A cada dia a competição entre empresas torna-se mais acirrada, obrigando as organizações a reverem suas estruturas de custos. Nesse cenário altamente concorrido, a função logística ganha cada vez mais destaque e passa a ser vista não só no âmbito operacional, mas também no tático e no estratégico.

Na visão estratégica, as empresas definem as diretrizes de como seus produtos, ou serviços, chegarão a seus clientes. Nesse momento são definidas as formas de distribuição, modais utilizados, localização de centros de distribuição e outras diretrizes mais.

As redes logísticas possuem fundamental importância no que se refere às decisões das organizações (onde, quando e como o produto/serviço deve chegar ao seu destino final), tendo a modelagem de rede como diferencial competitivo, através da revisão de sua estrutura de custos. Por conta de sua característica estratégica, os projetos de definições de redes logísticas são desenvolvidos quando uma organização deseja criar ou iniciar uma nova operação, ou então quando deseja rever sua forma de atuação vigente.

Podemos entender as redes logísticas como os fluxos dos materiais (transporte) entre os pontos determinados (CDs, CDAs, etc), desde o suprimento de matéria prima até a entrega dos produtos finais aos consumidores, sendo realizados de forma otimizada.

Definição-de-rede-de-logisticas

Nos projetos de definição de redes logísticas as principais decisões envolvidas estão relacionadas à localização das estruturas (Fábricas, Centros de Distribuição, Centros de Distribuição Avançados) e os modais que farão o transporte entre essas estruturas. Decisões estratégicas como abertura e fechamento de instalações também são consideradas em projetos dessa natureza. A formulação desses problemas tem por fim mapear e avaliar quantitativa e qualitativamente todos os nós e links potenciais em suas combinações possíveis, orientando a maximização dos seus trade-offs (como por exemplo: custos de transporte versus custos de armazenagem).

Os projetos de modelagem e definição de redes podem ser divididos em 3 macro-etapas: coleta e análise de dados, modelagem matemática e geração de cenários. Na macro-etapa de coleta e análise de dados, são levantados os dados existentes dentro da própria organização como custos de operação atual dos CDs, custos de transporte de rotas operadas para suprimento, transferência entre CDs e distribuição além dos custos tributários e fiscais. Quando isso não é viável, como por exemplo nos casos de rotas não utilizadas pela empresa, custos de operação em cidades onde não existem instalações e operação da empresa dentre outros, são adotadas premissas geralmente baseadas em benchmarks de mercado. Quando não houver estudos de benchmarking disponíveis, pode-se buscar dados de setores econômicos similares.

A fase de modelagem é desenvolvida com base no objetivo principal do projeto: maximização da receita (ou lucro) ou na minimização dos custos, basicamente. Dessa maneira são formuladas as equações que representam os custos da operação, receitas e restrições da operação em questão. Toda e qualquer variável que possa interferir significativamente no resultado deve ser considerada: investimentos em fábricas e depósitos, desmobilização de instalações existentes, compra de equipamentos, transporte, estoque e demais custos fixos e variáveis.

Após a modelagem matemática do problema são aplicadas técnicas de otimização, simulação ou algoritmos genéticos, em conjunto ou isoladamente, para geração de diversos cenários e posterior comparação para tomada de decisão.

A macro-etapa de análise de cenários deve valer-se dos outputs do modelo computacional e da experiência dos analistas para suportar a decisão final. É importante que nesta etapa sejam considerados também os aspectos mais qualitativos, como por exemplo impacto na imagem da empresa devido a abertura ou fechamento de um CD em determinada comunidade, que costumam ser de difícil modelagem.

Com base no cenário escolhido, devem ser traçados planos detalhados para implantação da solução, incluindo planos de contingência, de forma que os impactos da mudança nas operações sejam os menores possíveis.

Concluindo, a decisão tomada deve ser muito bem fundamentada, visto que os projetos de Definição de Redes Logísticas geralmente envolvem questões estruturais de alto investimento e pouca flexibilidade de mudança no curto prazo.

Gustavo Ribeiro – Especialista em Logística Empresarial pelo COPPEAD/UFRJ, Engenheiro de Produção pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET/RJ) e consultor associado da Visagio. Atua em consultoria de gestão empresarial, logística, engenharia de processos de negócios e organizações.