O retorno do investimento em ações de Gestão de Pessoas está cada vez mais evidente para os empresários. É crescente a quantidade de empresas que se beneficiam com os ganhos de um time engajado, refletido diretamente no aumento de suas receitas e na redução de custos. Em busca de inovação, muitos empreendedores tendem a buscar melhorias em seus produtos, tecnologias e processos. Entretanto, um dos meios mais acessíveis para gerar valor novo nas organizações é desenvolver o modelo de Liderança e a Gestão de Talentos.

MAIS CONCERTO E MENOS CONSERTO COMO TRANSFORMAROs números não mentem: pesquisas como a do Instituto Gallup indicam aumento de 27% nos lucros, 38% de aumento na produtividade e 40% de redução da taxa de rotatividade de funcionários (turn over) após projetos de melhoria do clima. Eu acompanho de perto o caso da Visagio, que desde 2003 investe em sua estratégia de Gestão de Pessoas como fator de diferenciação. Dentre as ações implementadas, destaco o plano constante de treinamentos da equipe, as atividades de integração fora do trabalho e as ações voluntárias que aumentam o engajamento, principalmente entre os jovens talentos. Em 10 anos, a empresa já obteve cinco títulos Great Place to Work, e hoje apresenta um turn over 33% menor que a média no seu setor.

Apesar das evidências, ainda há líderes de negócios que não perceberam o diferencial competitivo que as pessoas podem representar para seus negócios. Geralmente costumam reclamar dos “crescentes custos para corrigir defeitos de sua mão de obra”. Primeiramente, é preciso banir do vocabulário corporativo o termo mão de obra. Mais que mão, também somos cérebro, sentimento e alma. Parece que alguns executivos se esquecem de que são tão seres humanos quanto aqueles que gerenciam. Em segundo lugar, gente não é máquina, logo não tem defeito, e sim pontos de melhoria, o que proporciona uma liberdade significativa para que os funcionários desenvolvam seus talentos e mudem suas crenças limitadoras. Finalmente, o termo custos não reflete o potencial de retorno que as pessoas podem dar para a organização, cabendo mais o termo investimentos.

Para aqueles que decidirem começar uma jornada efetiva de projetos em Gestão de Pessoas, compartilho alguns aprendizados para o equilíbrio nas decisões. Para que seja um diferencial competitivo, o seu time precisará ser único e diferenciado na competição de mercado. O quanto você tem investido para criar uma equipe que se destaca das outras? Para isso você vai precisar recrutar gente diferente, treinar competências distintas e ter práticas de gestão de pessoas além do tradicional Departamento de Pessoal. Outra dica: não basta ser, também é necessário parecer. Não adianta ter um monte de diferenciais que as pessoas não percebam.

Sendo assim, após investir em uma proposta de valor diferenciada, comunique corretamente a mesma, nas devidas mídias e para os públicos que seu negócio deseja alcançar. A última e mais importante lição é se perguntar: o que meus clientes externos e funcionários querem? Investir em um projeto de Gestão de Pessoas se baseando apenas em consultorias ou casos externos pode significar jogar dinheiro fora.

Uma vez iniciados os trabalhos, o que vai garantir a rentabilidade do investimento será a mensuração de indicadores de melhoria no negócio. Por isso, mesmo em projetos mais qualitativos, é sempre possível definir uma meta. Uma vez alcançada, esta meta deve motivar os colaboradores e executivos a continuar investindo em novos projetos, criando um ciclo virtuoso que beneficia a todos no negócio. Desta forma, espera-se criar nas organizações um ambiente mais positivo, em que as pessoas sejam percebidas como parte de uma grande orquestra, e não como máquinas. Cada colaborador possui um instrumento, ou talento, sendo executado com destreza, razão, emoção e espírito, compondo um grande concerto de posturas, produtividade e resultados. E você, que música está tocando em sua organização? É possível afinar a Gestão de Pessoas e transformar seu negócio em uma bela orquestra (ou banda de jazz, se for mais a sua cultura). Uma bela canção começa com o primeiro acorde, vamos juntos!